quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Cajueiro anão precoce é mais resistente e produtivo

Por conta das sucessivas secas, muitos pomares de cajueiro foram dizimados nos três maiores estados produtores de caju: Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Com isso, a produção de castanha-de-caju vem despencando a cada ano. Para suprir o déficit de produção e se manterem em atividade, as indústrias brasileiras de beneficiamento de castanha – com destaque para as cearenses, são obrigadas a importar a matéria prima (castanha in natura) dos países africanos.

Não obstante, a reestruturação da cadeia produtiva da cajucultura brasileira, com vistas à recuperação da atividade de forma sustentável e rentável, passa necessariamente pela restauração dos pomares improdutivos, com emprego de tecnologia de substituição de copas, e a expansão de áreas com a variedade anão precoce. Sobre essas técnicas, pesquisadores da Embrapa vêm desenvolvendo excelentes trabalhos. Destaca-se o clone de cajueiro anão-precoce BRS 226 (Planalto - 2002), que além de ser mais resistente à seca, as pragas e doenças, a variedade oferece produtividade que pode chegar até 800 quilos de castanha por hectare. Esse clone é recomendado para plantio comercial de sequeiro em toda a região do semiárido, já que se trata de uma árvore de pequeno porte que na fase adulta raramente ultrapassa os três metros de altura, permitindo que os frutos possam ser colhidos manualmente.

Nos estados do Ceará e do Piauí, o anão precoce vem tendo excelente aceitação pelos produtores rurais. No Ceará as áreas plantadas com essa variedade já ultrapassam 25% e no Piauí 20%. Como o cajueiro anão precoce está sendo considerado o destaque da cajucultura nesses estados, cabe ao estado do Rio Grande do Norte – 3º maior produtor aderir ao plantio dessa importante e já aprovada variedade.

Outra boa vantagem do cajueiro anão precoce é com relação ao porte pequeno da árvore que possibilita a colheita manual, e contribui para o aumento do aproveitamento do pedúnculo para o mercado de caju de mesa ou para a produção de sucos, cajuína, doces e rações para os animais, além das castanhas padronizadas, que quando beneficiadas oferecem amêndoas especiais.

As indústrias de beneficiamento também estão sendo beneficiadas com o uso dessa tecnologia, pois serão aproveitados mais resíduos, como as fibras e os bagaços, e maior será a produção do Líquido da Castanha de Caju - LCC.


Desse modo, o aproveitamento integral da cajucultura é a opção mais sustentável economicamente para a atividade.