segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O semiárido precisa recuperar a produção de caju


Que bom que a Embrapa está incentivando o cultivo do cajueiro-anão precoce da variedade BRS 226 Planalto. A cultivar tem resistência à resinose e tolerância ao estresse hídrico. Outra vantagem do cultivo de clones de cajueiro-anão é o pequeno porte, que proporciona a colheita manual do caju ainda na planta. Dessa forma, o pedúnculo (caju), que até há pouco tempo era desperdiçado em mais de 80%, atualmente passou a ser aproveitado em diversas agroindústrias e no mercado de fruta fresca, ou seja, praticamente inexiste desperdício do caju – aproveitamento quase 100%.
Do pedúnculo do caju fabrica-se a polpa de caju pasteurizada e congelada para a produção de suco, néctar de caju, xarope de caju, refrigerante de caju, doce de caju em massa, doce de caju em pasta, doce de caju em calda, geleia de caju, caju-ameixa, cajuína, rapadura de caju e mel clarificado de caju.
O pedúnculo não selecionado para o mercado de fruta fresca é bem aproveitada pelas indústrias de suco, pois apresenta polpa muito amarela, conferindo uma excelente coloração aos sucos. As castanhas apresentam cerca de 10 gramas, sendo bem aceita tanto pelos industriais como pelas minifábricas artesanais.
A variedade atende às características do semiárido, região que apresenta clima seco e quente, caracterizada por oito meses de plena seca. Nesse período de poucas chuvas, o BRS 226 ganhou destaque por causa de sua elevada produtividade e resistência à estiagem. O clone de cajueiro-anão precoce BRS 226 tem sido um forte aliado de produtores rurais para enfrentar a seca que vem acontecendo na Região Nordeste desde 2012 – estiagens sucessivas nos últimos 4 (quatro) anos.

Embora seja uma cultura de sequeiro, o pomar de cajueiro anão BRS 226 pode contar com um sistema de irrigação de baixo custo. A irrigação é feita duas vezes por semana com cerca de meia hora de duração e os frutos irrigados nascem mais cedo e são mais robustos. O pesquisador da Embrapa Luiz Serrano afirma que o BRS 226 vem sendo testado em várias regiões do país com resultados satisfatórios. Em cultivo irrigado e com adequado suprimento de fertilizantes, a produção de castanha pode atingir até 3 mil kg por hectare e a de pedúnculos 30 mil kg por hectare.
Eis aí a solução para o semiárido: recuperar a produção de caju e castanha com uso da variedade recomendada pela Embrapa, com o objetivo de o Brasil voltar a ser competitivo junto ao mercado internacional, sobretudo de amêndoas de castanha-de-caju.

Fonte: Embrapa